5 11 2009

Santa Teresa (por Taiguara, mais um músico que morou por aqui)

Meu Amor, Santa Teresa (Taiguara)

São quase seis da tarde, o bonde tá
que já nem cabe guri
Depois de um geladinho na estação
a gente pode subir
Bondinho é tão gostoso!
Corre não. Sobe bem
pras Naves e Prazeres…
pois o chopp também…
E os bondinhos vão partindo…
E os choppinhos vão saindo…

Eu vi, na esquina co’a Santa Cristina,
a mão divina esculpir
Rapaz, que coisa louca a flor-de-boca
e o olhar… como eu nunca vi…
Passei meu Vista Alegre e o França
até os Dois Irmãos,
voltei no mesmo bonde
e tava lá a inspiração!
Escadaria da André…
Que bonita ela é…

Caramelos – braços belos –
debruando o branco do vestido…
Tetas tesas recheando e
retesando a teia do tecido…
Que ousadia! Que beleza!
… me perdoe – ao pobre – a Poesia…
Meu amor, Santa Teresa,
cada curva dela te copia!

Só vi, no Paula Mattos, pé tão lindo,
em capoeira no ar!
No Morro da Coroa, o Samba faz
tão fina mão batucar!
Curvelo, é o zigue-zague
nos seus pelos pincel
e o Largo é seu sorriso!
É o Guimarães do Miguel!
Lagoinha, veste o céu
e o Silvestre, verdes véus

Longe o Cristo, o Carioca lotou
Seis da tarde, Ôlho no trilho eu estou
Lá vem ela! Ave Maria no Morro!
A estrela d’alva aterrisou! Encarnou!

Taiguara Chalar da Silva (1945- 1996)

Depoimento:

Com quatro anos eu cheguei no Rio, no morro de Santa Tereza, onde eu tô hoje.

A gente viveu numa casa curiosa, que tem um mito, porque quando nós mudamos pra lá, já mudamos sabendo que ali tinham morado Herivelto Martins, Peri Ribeiro e Ubiratan. Herivelto, não com a Dalva, mas com a segunda esposa. E foram morar nessa casa também meu pai, compositor e músico, eu que também seria cantor, e casado com minha mãe, também cantora.

Junto ao pai e mãe, junto ao Morro da Coroa, dois mundos, o mundo do samba na rua e o mundo do tango em casa. Que rapidamente no Brasil se fez samba-canção e eu ouvia muito Maísa, Doris Monteiro, minha mãe ouvia sempre.

Meu Amor Santa Tereza é um canto de amor ao bondinho. Porque deram um susto na gente, né? Parecia que o bondinho ia acabar, porque foram acabando com os bondinho, de repente corria um só. O bondinho é tudo, o bondinho é Santa Tereza, o bondinho é o Brasil da ferrovia, se acabou com o Brasil da ferrovia e não vão acabar com o bondinho. O bondinho agora tá sendo remodelado , vai ter trilho novo. Então no meio da saudade de Santa Tereza, lá em Havana, nasceu esse canto pro bondinho.

Depoimento de 19/08/1994 para série Coleções CDS – a música brasileira vol. 7 – editado pelo Sesc São Paulo e Fundação Padre Anchieta produtor cultural João Carlos Botteselli (Pelão).

Extraído do site http://mariag.multiply.com/music/item/304/304. Valeu MARISA!

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One response

5 08 2010
Jucelio

salve Taiguara
Eu, quando adolescente, sonhava em ir ao rio, por conta dessa musica…e fui.
santa teresa, o bondinho….não nos deixemos bater por coisas tão vãs e minusculas..valeu Taiguara…por pairar acima das mesquinharias humanas…

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